折 zhé

折 zhé - (traços formando ângulos).
P – pressão
L – levantar levemente o pincel

钩 gōu

 钩 gōu - (traços em forma de gancho)
P – pressão
L – levantar levemente o pincel

提 tí

提 tí - (traço ascendente, curso diagonal que vem do esquerdo mais baixo à direita da parte superior)
P – pressão
L – levantar levemente o pincel

捺 nà

捺 nà - (traço curvo para a direita), diagonal curva que vem do lado esquerdo superior para o lado direito mais baixo.)

P – pressão
L – levantar levemente o pincel

撇 piě

撇 piě - (traço descendente para a esquerda), ( diagonal curva que vem do lado direito superior para o lado esquerdo mais baixo.)
P – pressão
L – levantar levemente o pincel


Obs.: Alguns autores fazem distinção desses dois tipos de traços.

横 héng / 竖 shù

横 héng / 竖 shù - (a combinação dos traços horizontal e vertical)
P – pressão
L – levantar levemente o pincel

竖 shù

竖 shù  - (traço vertical, de cima para baixo)
P – pressão
L – levantar levemente o pincel

横 héng

横 héng - (traço horizontal, da esquerda para direita)
P – pressão
L – levantar levemente o pincel

点 diǎn

点 diǎn - (ponto, existem diversos tipos pontos)
P – pressão
L – levantar levemente o pincel


As regras básicas para a composição dos ideogramas

· Da esquerda para a direita;
· Primeiro traço horizontal, depois traço vertical;
· Primeiro traço do lado esquerdo, depois traço do lado direito;
· De cima para baixo;
· De fora para dentro;
· Primeiro a parte de fora e depois a parte de dentro, só se fecha o ideograma depois de completar a parte de dentro;
· Primeiro o traço central, depois o da esquerda e o da direita;
· Quando tem um ponto do lado direito ou embaixo ele é feito por último, quando ele está do lado esquerdo ele é feito primeiro (esta regra interage, e as vezes modifica a regra anterior);
· Todo ideograma deve caber em um quadrado imaginário mantendo as devidas proporções;
· Por vezes, o radical do ideograma, ocupa o 1º terço do quadrado imaginário.
· Não se pode aumentar, reduzir ou alterar nenhum dos traços do ideograma e nem mudar a sua posição.

Os componentes mais básicos dos caracteres chineses

Os componentes mais básicos dos caracteres chineses
resumem-se aos oito traços básicos seguintes:

· 点 diǎn (ponto, de cima para baixo-direito, semelhante ao acento grave);

· 横 héng (traço horizontal, da esquerda para direita);

· 竖 shù (traço vertical, de cima para baixo);

· 撇 piě (traço curvo para a esquerda), ( diagonal curva que vem do lado direito superior para o lado esquerdo mais baixo.);
· 捺 nà (traço curvo para a direita), diagonal curva que vem do lado esquerdo superior para o lado direito mais baixo.);
· 提 tí (traço ascendente), curso diagonal que vem do esquerdo mais baixo à direita da parte superior;

· 钩 gōu (traços em forma de gancho);

· 折 zhé (traços formando ângulos).

Além dos 4 Tesouros - Conta gotas chineses 砚滴 (yàn dī) e peso de papel

砚滴 (yàn dī)


Além dos quatro tesouros da caligrafia e pintura chinesa,  um "conta-gotas de água" (chinês)  é usado para dosar a água, na quantidade certa , no tinteiro e assim melhor diluir a tinta.

Além dos 4 Tesouros - Selos Chineses

Os Selos que você frequentemente vê em pinturas são caracteres chineses esculpido em  jade, marfim, pedras em geral, porcelana, madeira e por vezes são feitas em metal.


São colocadas sobre uma pasta de cinábrio e então aplicadas com pressão no local aprpopriado da pintura para reproduzir os caracteres.



Existem dois tipos de selos: um é o selo com o nome pessoal. O outro é um selo de contém ideogramas que refletem o humor, a inspiração ou filosofia do pintor.


O papel, a tinta, o pincel e o tinteiro


O papel

A fabricação de papel está entre as "quatro grandes invenções" e uma das grandes contribuições que o antigo povo chinês fez para o mundo.

Antes da existência de papel, os nossos antepassados utilizaram “nós” em cordas para registrar eventos. Eles (os eventos) eram esculpidos em marfim, osso, carapaça de tartaruga e bronze, posteriormente foram escrito em pedaços de bambu. Durante o início da Dinastia Han pessoas ricas escreviam sobre seda branca, mas isso foi além do alcance da maioria, pois a seda era um tecido muito caro..



O papel arroz, suave mas resistente e não descolorante, é usado especialmente na pintura e caligrafia. Seu nome em chinês é "Xuan Zhi", "Xuan" vem da cidade Xuancheng, e "Zhi" significa papel. A Corporação de Papel de Arroz da China, a maior empresa dedicada à produção de papel de arroz do país, situa-se no distrito Jingxian, em Xuancheng. O gerente-geral da corporação, Yu Guangbin, explicou-nos o processo tradicional de fabricação de papel: "Xuancheng é região produtora e reserva de papel de arroz por ter, além de tecnologia tradicional, boa posição geográfica, melhor qualidade de água e abundantes recursos especiais".



Segundo Yu, o papel, cujas principais matérias-primas são cascas do sândalo branco e a palha de arroz, é fabricado através de 180 processos de produção manual: "Trabalham em nossa empresa um contingente de grandes mestres que dominam toda a tecnologia tradicional, tecnologia difícil de ser expressada através da escrita. Entre os mais de 180 processos de produção que são transmitidos de gerações em gerações, cada processo é muito importante para a qualidade de papel.



Na realidade, o papel de arroz depende estreitamente do meio-ambiente, sendo por isso difícil de fabricar em outros lugares. Além disso, os técnicos freqüentam sempre os museus para observar a evolução das pinturas antigas e estudar a mudança do papel e a evolução da tinta nele, a fim de aperfeiçoar a qualidade de seus produtos.


O pincel chinês


A pincel para escrita mais antigo que foi encontrado é uma relíquia do Período dos Reinos Combatentes (476 aC - 221 aC). A partir desse momento, o pincel tem evoluído em variedade. A ponta pode ser feita de pelo de coelho, crina de cavalo, cabelo de fuinha, ou cerdas, e assim por diante, enquanto o cabo pode ser feita de marfim, jade, cristal, ouro, prata, porcelana, chifre de boi, etc , no entanto os mais comuns são feitos com bambu (para o cabo) e lã de carneiro ou pelo de lobo.


Geralmente, em um pincel, não se misturam dois tipo de “pelos” pois cada tipo possui característica que variam do macio até o duro, produzindo assim estilos (na execução do ideograma) próprios e particulares.

A barra de tinta

A tinta tem uma tradição de vários séculos na caligrafia e pintura chinesa. Originalmente era fabricada a partir de óleos vegetais carbonizados. É muito negra, tem grande poder de cobertura e quando seca é indelével. Existe a forma líquida ou em bonitos lingotes, moldados em baixos relevos, que se diluem em água (de preferência destilada). A tinta Hui é a mais destacada entre todas as tintas, cuja base de produção se situa também na cidade de Xuancheng. A tinta Hui é fabricada principalmente com fumaça de ramos de pinheiro queimados misturada com cola de osso e outras preciosas plantas medicinais tradicionais.
Depois, são colocadas as massas de tinta em modelos de diversas formas para fazer barras ou blocos de tinta, alguns deles são decorados com desenhos para coleção. Nos tempos antigos, imperadores da dinastia Qing (1644 - 1911) tiveram grande atenção à produção de bastões de tinta e eram especialistas em sua apreciação e qualidade.


A pedra para a tinta

A pedra para tinta é o chefe reputado dos "quatro tesouros ', por sua sobriedade e elegância tem resistido à passagem do tempo.


Para fazer pinturas ou caligrafia, precisa-se, em primeiro lugar, fazer os lingotes em tinta dentro de um tinteiro especial, feito geralmente de pedra, esse tinteiro é um dos artigos de escritório mais importantes na história da China. Pesquisadores apontam o fato de que é impossível precisar a data de seu surgimento. No entanto, a descoberta de um tinteiro com cerca de três mil anos, na província de Zhejiang, despertou grande atenção dos arqueólogos.

Os "quatro tesouros de escritório" (文房四宝)

O Pincel, tinta em barra, tinteiro chinês e papel de arroz ( ou Xuanzhi) foram batizados durante a dinastia Song (960-1279) como "quatro tesouros de escritório" (文房四宝), ferramentas básicas para a produção da caligrafia e pintura tradicional chinesas. Além desses quatro instrumentos, o selo (chinês) e a pasta para o carimbo (do selo); o conta gotas chinês, o peso de papel, também são utilizados por calígrafos.



O diretor da Associação dos Quatro Tesouros de Escritório Tradicional de Xuancheng, Jiang Xianjin, afirmou que os quatro tesouros de escritório representam a cristalização da sabedoria do povo chinês, sendo não só artigos de escritório durante milhares de anos, mas também símbolo de cultura tradicional e civilização chinesa.



Na caligrafia China ocupa uma posição de destaque no campo da arte tradicional.. Não é apenas um meio de comunicação, mas também um meio de expressar o mundo interior de uma pessoa em um sentido estético.



Antigamente na China era essencial para um candidato a um cargo manifestar o seu talento literário no Exame Imperial, pois ele dava uma primeira impressão para os examinadores. Filhos de altos funcionários tiveram que aprender e tentar ter uma boa caligrafia, os imperadores tinha que ter uma excelente caligrafia, por exemplo, o versátil imperador Qianlong da dinastia Qing (1644 - 1911) deixou-nos muitos exemplos de sua caligrafia em templos e palácios.




Para a pratica da caligrafia é necessário além das ferramentas básicas ("quatro tesouros do estudo"), muita concentração na velocidade, força e agilidade que é a essência da arte-final. A Caligrafia é como um espelho, é uma reflexão silenciosa da alma. Acredita-se que tem vida, otimismo e força.






Hoje, apesar das várias maneiras modernas que foram substituídas pela a caligrafia original, as pessoas ainda amam a antiga forma de praticá-la. Durante as festas tradicionais, ideogramas propícios são sempre indispensáveis nas decorações festivas ou não.

Ou yang Xun - 歐陽詢

Ou yang Xun (歐陽詢 (欧阳询)), 557- 641, também conhecido Xinben (信本), era um erudito e um calígrafo da escola confucionista da dinastia Tang. Nasceu em Hunan, Changsha, pertencia a uma família de oficiais do governo; morreu na província moderna de Anhui.
A maior parte da caligrafia de Ou yang Xun era do estilo kaishu (estilo regular), a primazia de sua caligrafia era conhecida pelos mais antigos com “estilo OU”, no entanto ele (de Ou yang Xun) , esporadicamente, também fazia uso do estilo “lishu” e outros estilos. Futuras gerações, posteriores a época de Ouyang Xun, encontraram sua inspiração na força e na estrutura de sua caligrafia, a inspiração necessária para desenvolver o aprendizado da escrita (caligráfica) . Ouyang Xun sempre admirou outros calígrafos de renome na época, e, sempre comparando a sua caligrafia a dos outros, achava a sua própria (caligrafia) medíocre. Durante toda sua vida, inclusive na sua velhice, Ou yang Xun, mesmo tendo sido reconhecido (também) como um calígrafo notável, nunca deixou de praticar a caligrafia em busca de aperfeiçoá-la.
(Sutra do Coração na caligrafia de Ou yang Xun - 歐陽詢)
O Sutra da Perfeição da Sabedoria ou Sutra do Coração (般若波羅蜜多心經) é um conhecido sutra budista mahāyāna. Notável por sua brevidade, concisão e claridade, o Sutra do Coração tem esse nome por ser considerado representativo dos ensinamentos básicos dos Sutras da Perfeição da Sabedoria, que são muito mais longos. O Zen em particular enfatiza bastante o estudo do Sutra do Coração.

A caligrafia chinesa nos tempos atuais

Há empresas que pedem aos aspirantes a um trabalho apresentarem o currículo escrito à mão, em vez de à máquina. Por que isso? Na China, pela letra se pode conhecer o caráter e a atitude das pessoas. Desde os tempos antigos, se acredita que a letra reflete a personalidade. Na dinastia Tang (618-907) a caligrafia serviu de critério para julgar a inteligência, a delicadeza e a capacidade das pessoas. Mas, que posição ocupa a caligrafia no mundo moderno, quando nossas mãos e nossos dedos que teclam comodamente, se vão distanciando mais dos complicados caracteres chineses?

O Encanto da caligrafia chinesa

Roland Burand, um artista contemporâneo francês fascinado pela caligrafia chinesa e seus instrumentos, costuma comprar pincéis e os dispor na parede como obras de arte. Em uma recente viagem à China, o admirou muito a caligrafia chinesa como uma arte, a qual seu significado frequentemente está mais além de sua compreensão.

Muitos estrangeiros dividem com Roland o amor pela caligrafia chinesa. Ji Xian Lin, renomado erudito de língua chinesa e professor da Universidade de Beijing, contou sobre um colega alemão que, observando alguém que escrevia a caligrafia chinesa, quase esqueceu-se da hora de sua conferência. Renomado linguista chinês e em alguns idiomas estrangeiros, Ji Xianlin sente-se orgulhoso que a caligrafia é a única escrita do mundo reconhecida como a melhor arte das artes.


Han Tianheng, celebre artista e ex-vice-presidente da Academia de Pintura Chinesa de Shanghai, encantou-se com a caligrafia e a estrutura do chinês. Por ser uma língua pictográfica em lugar de alfabética, o caractér antigo é um quadro simplesmente bosquejado em si mesmo. Por exemplo, a forma original do caractér chinês "pessoa" se assemelha ao perfil de um ser humano que esta caminhando.



O prestigiado calígrafo Wang Xizhi (321-379) da dinastia Jin comparou as técnicas caligráficas as da guerra, criadas por antigos estrategistas militares, Sun Zi e Sun Bin. Dizem que uma folha branca no campo de batalha significa que o calígrafo deve dispor seus caracteres e movimentos iguais como um estilo que desprega as suas tropas na batalha.
Os verdadeiros calígrafos chineses enfatizam que a mão deve seguir a mente enquanto se escreve, enquanto os pensamentos e a energia vital têm que se concentrar na ponta do pincel para que um estado de mente se incorpore à escritura. Só ai então as mãos manejarão livremente o pincel como se a serpente se arrastasse e o dragão voasse.


Este é um processo de acumular, liberar e transportar uma paixão artística através da ponta do pincel. Quando Ji Xianlin viu pela primeira vez as inscrições de estela no vale de Huangshan na montanha de Shizhong na província de Jiangxi, estava tão impressionadas que se acelerou os movimentos. Em outra ocasião, depois das obras do grande calígrafo Deng Shiru da Dinastia Qing (1644-1911) comentou: "o que senti realmente foi físico e não somente espiritual".
Os computadores assumem o controle?


Nos dias atuais, no entanto, muitos chineses estão sucumbindo a amnésia da escritura, uma enfermidade social da era do computador. As cartas, os papéis, avisos e outros documentos escritos a mão vão ficando de fora da vida moderna, trocados pelos "escritos" produzidos pelos teclados devido ao avanço do sistema de introdução de caracteres chineses na computação. Antes disso, as pessoas praticavam a caligrafia todos os dias tanto quanto faziam seu trabalho habitual. Agora, no entanto, a necessidade de "penas" na vida diária diminui, afetando, sobretudo, a caligrafia. Uma investigação recente mostrou que a maioria dos professores da escola primária e secundaria de Beijing só chegavam à segunda categoria com suas habilidades de escrever com a tinta, a pena e o pincel.

Desde o final do século vinte que os computadores e impressoras têm afetado a indústria de penas e pincéis. As pessoas têm menos vontade de praticar a caligrafia. Uma vez que tudo se imprime ou se exibe na tela. O dono de uma loja de pincéis em Liulichang disse que suas vendas estão diminuindo rápido. A forma antiga da arte se usa nas tumbas antigas dos mortos. Li Jing, membro permanente da Associação de Calígrafos de Shanghai, disse que para a nação chinesa, a caligrafia parece as "sobrancelhas de uma pessoa". Mesmo que seu declínio não afete o desenvolvimento de um país poderoso, China não seria tão charmosa sem ela.

E a partir de uma perspectiva pessoal, a caligrafia a ajuda a cultivar a mente e a melhorar o temperamento.
Sabendo disto, o selo chinês caligráfico das Olimpíadas de Beijing 2008 tem um significado muito importante. Os que o selecionaram têm a esperança de que o emblema possa contribuir para o rejuvenescimento da caligrafia chinesa. A forma antiga da arte tem existido durante 5.000 anos e esperamos que a tecnologia não a extinga.